sexta-feira, 8 de abril de 2016

TRIBUTO A ÁLISSON MENDONÇA

TRIBUTO A ÁLISSON MENDONÇA

Após passar uma noite praticamente sem dormir, pensando em tudo o que vivenciei ontem no cortejo fúnebre do Inspetor da Polícia Civil Alison Mendonça, filho de um casal muito amado Marcia Mendonça e Mendonça Filho, resolvi que não posso me calar e decidi escrever esse texto aonde deixo aqui a minha solidariedade a toda família e policiais que estavam presente sentindo toda essa dor da perda.

Eu não conhecia Alison, durante o período em que conheço seus pais, acredito que já por mais de quinze anos, pois trabalhamos muito juntos em vários ECC’s da vida (Encontros de Casais com Cristo), o encontrei em alguns raros momentos, entre igrejas e comemorações, acredito que pela educação que seus pais lhe deram (pessoas de Deus, íntegras e de grande coração) e pelo testemunho de muitos que ontem vimos e ouvimos, ele era um rapaz do bem, um filho presente e amoroso, um servo de Deus fiel, um noivo doce e apaixonado, um profissional que cumpria o seu dever com honestidade e prontidão e não media esforços para cumprir seu chamado.

O impacto foi grande entre todos que estavam ali, a cena na chegada a Igreja Presbiteriana da Cidade dos funcionários se não fosse trágica era linda de se ver, a avenida estava tomada por carros policiais e colegas solidários prestando sua última homenagem, já de longe a gente ouvia o barulho das sirenes e as luzes das viaturas piscando, à frente da igreja ficou lotada de tantos policiais solidarizados pela dor e acredito se imaginando que poderia ser qualquer um deles naquela situação.

Adentrando a igreja me deparei com uma amiga sentada quase ainda a porta, arrebentada de tanta dor, quem a conhece sabe que aquela mulher é uma fortaleza, por esse motivo quase não a reconhecíamos, foi um dos abraços mais dolorosos que tive que dar em alguém, senti naquele momento a sua dor! E o que dizer nessa hora? Não existem palavras, apenas sentimentos e acredito que naquele momento ela sentiu que cada um que estava presente dividiu um pouco com ela esse peso.

Entrando um pouco mais e tentando chegar ao caixão, ouvia um coro de choro e revolta e ao lado do corpo estava o meu querido amigo, o grande, forte e alegre Mendonça, radialista que enfrenta multidões em suas narrações, sentado e abatido, com a pressão arterial em pico e a grande dor estampada no rosto. Ver o sofrimento de seu irmão e companheiro Mendonça Júnior e de sua cunhada Talita Mendonça foi tocante demais, aquela família muito unida e feliz, nesse momento passava por uma dor infinita, longe dali e guardada por amigos ficou sem entender a pequena Izaurinha, irmãzinha caçula, que só sabia que seu amado irmão havia ido para o Céu, mas perguntava se ele logo voltaria, apesar de saber que com apenas cinco aninhos quem vai para o céu é porque morreu.

Não conhecia pessoalmente a sua querida Lua Oliveira, mas acredito que ela deve ser alguém muito especial por ter sido escolhida e acolhida por essa família tão amada e amável, acredito que a cena do ocorrido jamais sairá da sua mente e coração, mas creio que Deus a abraçará nesse momento.

Vi e compartilhei nas redes sociais o que o Alison havia escrito um pouco antes do ocorrido, sobre a insegurança e a impunidade que acontece hoje em nosso país quando nos referimos a medidas que deveriam ser tomadas pelas autoridades, é incrível que ele tenha registrado isso a apenas alguns dias antes da sua morte, parece até que foi iluminado ao escrever, para que deixasse registrado o risco não só entre os profissionais que combatem o crime, mas por todos nós.

 Hoje fazemos a única coisa que nos compete como cidadãos, oramos ao sair e voltar para casa e entregamos nossa segurança e família nas mãos de Deus, pois nunca imaginamos o que possa ocorrer, vivemos presos e enjaulados entre grades, carros blindados (para os que podem) ou trancafiados em nossas casas com síndromes de pânico, de ansiedade, de pavor. Vemos nas redes sociais vídeos cada vez mais comuns de assaltos gravados por câmeras de segurança.  Resumindo, trabalhamos, nos esforçamos para termos muitas vezes o básico, que necessitamos para nos comunicar (celular), nos locomover (carro), para nos alimentar (dinheiro) e outras coisinhas que sonhamos e almejamos, mas não podemos possuir para não chamar atenção dos bandidos.

Feliz daquele que tem condições de morar fora, em países que não existe essa violência. Hoje criamos filhos que ao entrarem em uma universidade sonham em ir embora, que não querem mais morar no Brasil e por que isso acontece? Nosso pais está repleto de bandidos, e quando falo disso não me refiro apenas aos que estão assaltando nas ruas, mas a toda essa corja de políticos desonestos, a toda essa corja que todos os dias colocam em seus bolsos, cuecas, meias, contas de bancos (inclusive no exterior) que podemos chamá-los de assassinos pois roubam o dinheiro que poderia ser usado para a cura desse país, através da Educação, da saúde, moradia, investimentos para salvação das gerações vindouras para não se tornem bandidos! Estes políticos assassinos sabem disso. Não adianta matar esses marginais, pois nascerão outros, não adianta prender esses marginais, porque cadeia é escola de aprender mais ainda o que não presta! Não temos centros de reabilitações, de ajuda, não temos escolas dignas de tempo integral para retirar nossas crianças e jovens das ruas e consequentemente das drogas! Seria a descontinuação desse “produto” gerado por um governo incompetente. Com este mal exemplo (falta de ética, desonestidade, egoísmo, falta de amor ao próximo). Outras classes sociais também são afetadas pois isso não só acontece com o morador de rua, mas também com o abastado, digo, que poderá acontecer até com o seu filho, com qualquer um de nós! Não estamos livres de nos tornarmos dependentes de qualquer droga que seja, pois ao contrário de estarmos lutando contra tudo isso, nos trancamos em nossa vidinha medíocre até que toquem um dos nossos.

Não sou uma leiga no assunto, também não tenho formação médica, psiquiátrica, mas tenho a convivência de quase seis anos com dependentes químicos, moradores de ruas e clinicas de recuperação, trabalho junto com meu esposo num projeto voluntário e sei do que estou falando, pois já tiramos várias pessoas das ruas e internamos nessas casas também de voluntários, de adictos (ex usuários de drogas) que pela misericórdia de Deus fazem um trabalho belo e verdadeiro, tentam reintegrar essas pessoas geradas por famílias “doentes” marginalizadas pela sociedade e que não usufruem de nenhuma ação concreta do governo.

No decorrer desse tempo já presenciei muitas mães de oração, muitas guerreiras pedindo a Deus a libertação de seus filhos, frutos muitas vezes do meio que vivem! Já ouvi mães pedindo para os filhos serem presos, mães que amarram e acorrentam seus filhos para não irem atrás das drogas ou serem mortos por traficantes, já vi mães orarem até pela morte de seus filhos, porque já venderam e destruíram tudo o que tinham em casa.

Ontem eu ouvi a oração da mãe do Alisson (a nossa Marcinha) pela mãe do outro rapaz que morreu no confronto e ela pedia a Deus misericórdia por essa mãe, porque ela Marcia Mendonça tinha a certeza plena de que ainda encontraria seu filho Alisson no céu, porque ele conhecia o caminho, a verdade e a vida eterna através do nosso Salvador, mas aquela mãe jamais reencontrará aquele filho, que morreu longe dos braços do nosso Senhor.

 "Eu asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida.” João 5:24

“Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” Romanos 6:23

Fiquei imaginando que enquanto o Alisson era enterrado com tanto amor, solidariedade e dor de seus familiares e amigos, o que estaria acontecendo no enterro daquele outro rapaz? Qual sentimento regia o coração daquela mãe? Dor ou alívio? Que Deus tenha misericórdia!

Por
Conceição Barreto
Em 08/04/16





17/10/2015
Missão no Instituto Gotas - Casa de Recuperação Feminina
Visita às internas, doação de alimentos,  Pregação da Palavra de Deus, Aconselhamento. (Irmã Conceição Barreto)









12/09/2015

VISITA À CASA DE RECUPERAÇÃO - PROJETO EBENÉZER 
Juntos com os Irmãos em Cristo: Luziemir e Lêda. Lugar de Bênção  e recuperação de dependentes químicos. Laborterapia incentivada através do contato direto com a natureza. Agricultura e pecuária de subsistência.
Pr. Romel Pregando a Palavra de Deus para os internos e visitantes

Internos em recuperação
Produtos produzidos no Projeto Ebenézer: Redes, Molho de Pimenta, Fubá de Milho, Mel de Abelha, Fritas, Doces, Ovos de Galinha Caipira...









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